Música sem fronteiras: partilha de experiências pedagógicas entre Moçambique e Portugal
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Keywords
narrativas artistico-musicais, partiha de experiencias, conhecimento
Resumo
Este artigo pretende explanar, a partir das narrativas pessoais e da observação direta, a partilha de experiências pedagógicas no âmbito do intercâmbio entre professores da área da música da Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo Mondlane, da cidade de Maputo, Moçambique, e do Curso de Música em Contextos Comunitários da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Bragança, Portugal.
Para o efeito, foram criados seminários temáticos nos quais se desenvolveram diferentes atividades artístico-musicais junto dos estudantes envolvidos. Os objetivos destas experiências pedagógicas, com base na troca e prática de saberes musicais, residiram: 1) na maneira como, a partir da música, é possível encontrar caminhos de aproximação e diálogo musical e linguístico entre dois países e instituições de ensino superior; 2) na partilha e aquisição de competências diferenciadas que promoveram e enriqueceram o conhecimento.
Os saberes musicais oriundos de Moçambique trouxeram a tónica dos estilos e géneros de música e dança tradicionais, da dança popular e urbana e do conhecimento sobre instrumentos musicais que perpetuam a tradição. De Portugal, procurou-se a partilha de diferentes abordagens pedagógicas, através da apresentação de projetos na comunidade, onde a música e o canto acontecem enquanto processo de conexão entre as pessoas e de criação de espaços artístico-musicais diversos.
De entre os projetos apresentados, destaca-se o Projeto Cantar Plus, que reitera e salienta a música como ferramenta essencial de um processo transformador. Em termos de metodologia, recorreu-se a apresentações áudio e vídeo, exposições escritas e orais e à prática de experiências musicais.
Assim, ultrapassando fronteiras e como resultado destas mobilidades, foi possível a troca de experiências, a partilha colaborativa e um diálogo artístico-musical, onde imperou a língua portuguesa e se promoveu a proximidade e o conhecimento académico entre todos os participantes.
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